Seu alguém sentado em uma praça relembra o texto
elaborado, declina em pensamento a me contar que o mito
da democracia é o que há que nos embranquece e nos
designa pardos de um processo colonizador violento e
com sua neta a cantar a letra da Kaê ‘chamam de pardos
para embranquecer, enfraquecer e desestruturar você pra
não saber de onde veio’ e finaliza a canção ‘ainda
resistimos em tantos tons e vivências’.
34,8 milhões de casos, 688 mil mortes, atualizados dados
em um clique que não chegou ao email da caixa de entrada
da Pzfizer para fechar a compra ou aquele desvio por cada
esperança em um dólar multiplicado. Teresa ao meu lado
lembra: – Eu tive um plantão, ou melhor, não!Eu não
descansei um minuto se quer e vivi toda a angústia e eu
morri também, muitas vezes com pacientes, em corrente
de família que nem era a minha. Finaliza.
Quem cuidou foi abandonado, caímos num fado português,
colonizados outra vez pelo agro que não é ‘tech, não é pop
e também mata’, outra vez Kaê Guajajara, a maranhense
indígena, originária que clama em verso e canção.
As forças e o Estado sabem onde está o garimpo que os
originários tentam se esconder para sobreviver porque a
flecha no ar queima e vira fumaça, o capitão do mato é
diferente, o feitor tem máquinas e o senhor veste terno e
gravata, não dá pra entender o Maranhão que enriquece
com minérios e se esvaia com os navios que atracam e se
vão.
Marcos pensando e pensando não consegue parar até
tentar entender a leitura e de alguma forma associar ao
governo fascista e genocida que nada quis resolver e aí encontramos uma extinta unidade popular diluída
transformada em uma crosta polarizada política falácia
com síndrome do homem cordial, um funcionalismo
patriarcal, um resultado infeliz do modelo agrário
colonizador que sai do seio da família para aprender e
depois se tornar um aristocrata colonial, outra vez,
contemplado com gados e fazendas, marcados dois, dois
no rosto, como feras, os animais.
O padre que não aguenta a tristeza, sabe que a pobreza, é
ver as pessoas passando fome. No Maranhão, 63,3% os
lares nessa condição segundo inquérito nacional sobre
segurança alimentar em uma pesquisa não tão antiga. É
difícil ver o Cajueiro, a Raposa e tantas outras a situação
dos ilhados em uma ilha denominada de amor.
Dona Zefa, permanece no trabalho precário que
“concurseiro” não tem vez, mas maximiza a janela do
esgoto, raivoso, a PEC 32. Sofrem o pobre do novo ao
idoso, os que se opuseram contra sua veracidade distinta
da burguesia, se esquecem que o dinheiro é fruto do
salário, pobre assalariado!
O pós-fordismo, o fundamentalismo cristão, mas as
necessidades básicas não são assistidas e nem dentro de
um plano emergencial quando todo o globo passava e
passa ainda por um estado terminal.
A juventude não poderia estar mais doente também,
critiquem, deixou de ocupar estacionamentos, auditórios e
caiu no brilho destrutível do empoderamento mascarado
de um pensamento livre e pós-moderno que não dá
subsídios de um desenvolvimento íntegro e humano. O
empoderamento vai acabar?A pergunta na verdade é: –
Você conseguiu uma emancipação individual?Certo que
cada ser tem sua individualidade, mas se vive em
sociedade, as narrativas mudam, até a canetada em uma leia é conjunta, seja para o bem ou para o malefício
comum.
Prezo em dizer, que aqui sairão profissionais ou não, então
voltem mais seus olhos para educação, você não vive mais
a ciência sem fronteira, a não ser pelo modo cibernético,
bolsa somente a que carrega nas costas com sono, cansaço
e o desgosto tanto quanto os mestres que junto com a
classe repassam o bloqueio no seu futuro e no bolso deles,
talvez você também seja um mestre, então valorize.
A solução que a história sempre nos dá é que durante as
repressões, a juventude tomou as ruas, trocou livros, bebeu
também o amargo das feridas para que mais tarde se
entregassem as guerrilhas e articulasse independente de
ideologia, partido, o foco é estar vivo, mas não apenas
vivo, mas ter condições para viver seja essa geração ou
futuras, nós, o povo é que deve decidir.
Ana Victória Costa da Silva
25.10.2022